Olhos e ouvidos atentos para a pauta da Câmara dos
Deputados na próxima semana. Na agenda, o projeto que pode alterar a lei 8.666, a
popular lei de licitações. Uma comissão especial criada em 2015 deve votar, na
próxima terça-feira (22), o relatório do deputado João Arruda (MDB/PR).
Representantes do segmento empresarial, dos órgãos de
fiscalização e profissionais da área sugeriram mudanças. O Ministério Público Federal propôs que o
superfaturamento de compras públicas seja considerado crime específico. Já os
empresários querem extinguir a modalidade pregão em licitações para obras de engenharia. No pregão, vence a empresa que apresentar o menor valor
para a obra após lances sucessivos.
Engenheiros sugeriram o fim da contratação integrada. Hoje, o contratado é responsável tanto pela execução da obra como pela elaboração e desenvolvimento dos projetos. Embora a atualização da lei 8.666 seja necessária, as causas da corrupção em obras públicas não estão relacionadas à legislação. Chovem denúncias de empresários formando carteis combinando preços e em quais obras vão atuar com a anuência de gestores e agentes públicos.
O caso mais emblemático no Rio Grande do Norte foi descoberto em 2008 com a deflagração, pelo Ministério Público Federal, da operação Hígia. No esquema, empresários e gestores públicos em conluio acertavam a renovação contratos, com dispensa de licitação, na secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap) em troca do pagamento de propina.
11 pessoas foram condenadas pela Justiça Federal, entre
empresários e agentes públicos. O advogado Lauro Maia, filho da ex-governadora
Wilma de Faria, foi apontado como o mentor do esquema. Os condenados recorreram à 2ª instância e desde 10 de
abril de 2018 o processo está na mesa do desembargador do Tribunal Regional
Federal da 5ª Região Fernando Braga para julgamento.
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