A Caixa Econômica Federal recebeu
nos últimos três meses autorização para conceder R$ 2,5 bilhões em
empréstimos a Estados e municípios sem garantias da União —
uma operação que é mais arriscada para o banco. O aval do Tesouro para esse tipo de empréstimo
ocorre no momento em que a Caixa busca um socorro de R$ 15 bilhões do FGTS para não ter de reduzir a
concessão de crédito. Desde outubro, os bancos oficiais (Caixa e Banco do
Brasil) tiveram sinal verde para financiar ao todo R$ 5 bilhões a governadores e prefeitos em
contratações com e sem aval da União segundo levantamento feito pelo
Estadão/Broadcast, com dados do Tesouro e despachos publicados no Diário
Oficial da União.
Quando há garantia, a União fica responsável por honrar o pagamento junto
ao banco em caso de inadimplência do Estado ou município. Depois, o Tesouro
busca recuperar os valores para cobrir o prejuízo. Já no caso das operações sem garantia, o banco e o Estado
ou município negociam diretamente as
garantias envolvidas. Essa operação é mais arriscada porque geralmente são
dadas como garantias receitas futuras de impostos —
que podem não se concretizar. Nos últimos três meses, foram autorizados R$ 2,2 bilhões
em garantias a Estados, R$ 1,3 bilhão em operações sem garantia a Estados e R$
1,5 bilhão em operações sem garantias a municípios. Para efeitos de comparação,
entre julho e setembro de 2017, os dados do Tesouro apontam apenas R$ 691
milhões em operações sem garantia para municípios, sendo a maior parte para a
cidade do Rio de Janeiro.
O Banco do Brasil teve sinal verde
para conceder R$ 331,2 milhões em operações de crédito sem garantia a Estados e
municípios, um valor bem menor do que a Caixa, que poderá emprestar R$ 2,5
bilhões em contratos diretos com os governos regionais. A concessão desses empréstimos se transformou em arma política depois que o
ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (PMDB),
admitiu que o dinheiro seria usado como moeda
de troca pelo apoio de governadores e prefeitos à reforma
da Previdência. A pasta é a principal responsável pela articulação dos
interesses do Planalto e de parlamentares. No início da semana, o presidente da
Caixa, Gilberto Occhi, se reuniu com
Temer para discutir novas liberações.


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