Uma final inédita, surpreendente e com diversos
protagonistas e ligações históricas. França e Croácia decidem a Copa do Mundo de 2018, às 12h (de
Brasília), no Estádio Lujniki, em Moscou, em busca da glória maior do futebol.
O favoritismo acompanha a seleção francesa, liderada pela juventude e qualidade
de Kyian Mbappé, que ainda tem uma
vantagem física: jogou 90 minutos a menos no Mundial, já que a Croácia vem de
três decisões com prorrogação. Mas o fator psicológico pode pesar a favor do
experiente time croata, guiado pelo craque cerebral Luka Modric. O jogo é uma reedição da semifinal de 1998, vencida
pelos franceses, e que deixou marcas profundas, e não apenas esportivas, nos
dois países. Didier Deschamps é
a figura central deste reencontro.

O atual treinador da França esteve em campo
na vitória sobre a Croácia por 2 a 1 há 20 anos – inclusive assumiu a faixa de
capitão neste jogo e ergueria a inédita taça dias depois contra o Brasil.
Apontado como o “pai da vitória” francesa, ele tenta desvincular aquela geração
da atual, inclusive pelo fato de muitos não se lembrarem dos feitos de Zinedine
Zidane e companhia – Mbappé, de 19 anos, nem sequer era nascido. “Isso pertence
a muitos franceses, mas não a esses jovens. Estou aqui para escrever uma nova
página, a mais bonita delas. Tenho orgulho do que fizemos, ninguém poderá
apagar, mas devemos olhar para frente”, afirmou Deschamps após a vitória sobre
a Bélgica na semifinal.
A importância daquela equipe extrapolou o debate esportivo:
o lema black, blanc, beur (preto, branco e árabe) em oposição ao clássico bleu,
blanc, rouge das cores da bandeira francesa, tomou as ruas de Paris. Foi uma
celebração à miscigenação da equipe composta por vários atletas negros, filhos
de imigrantes ou originários de ex-colônias. Nas Copas seguintes, em que os
resultados foram ruins, o preconceito invariavelmente voltou à tona. Neste
domingo, ídolos negros como Paul Pogba, N’Golo Kanté – o volante incansável que
em 1998 ajudou seu pai, um imigrante de Mali, a recolher lixo das ruas após o
título – e a estrela Mbappé, podem repetir o feito.
A geração de 1998 da Croácia, terceira colocada no
Mundial, também alcançou mais do que uma façanha esportiva. O país antes
anexado ao território da Iugoslávia se tornou independente no início da década
de 90, após uma batalha sangrenta que durou cinco anos, e o futebol se tornou
um catalisador do orgulho da nova nação. A camisa e a bandeira quadriculadas em
vermelho e branco, ostentadas pelo artilheiro Davor Suker, apresentaram a
Croácia ao grande público. Hoje, aos 50 anos, Suker é o presidente da federação
croata e se disse plenamente orgulhoso de ter visto sua geração “superada” pela
de Luka Modric, Ivan Rakitic, Mario Mandzukic e companhia.

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